Césio-137 em Goiânia: 39 anos do acidente que mudou a segurança radiológica no Brasil
Em 13 de setembro de 1987 começou, em Goiânia, o acidente radiológico com césio-137 que marcaria a história do Brasil. Em 2026, o episódio completa 39 anos e continua sendo uma referência mundial para a segurança de fontes radioativas, a resposta a emergências e o cuidado permanente com as pessoas atingidas.
Como começou o acidente?
Dois homens retiraram um equipamento de radioterapia das ruínas de uma clínica desativada. Sem conhecer o risco, desmontaram partes do aparelho e alcançaram a cápsula que continha césio-137, material utilizado em tratamentos médicos.
Depois que a cápsula foi rompida, o material radioativo passou por diferentes locais e pessoas. O brilho azulado chamou atenção, mas não indicava segurança: tratava-se de uma fonte de radiação ionizante capaz de contaminar pessoas, objetos e ambientes.
Por que a contaminação se espalhou?
O equipamento havia sido abandonado sem a proteção e o controle necessários. Como o perigo não era visível nem conhecido pelas pessoas que o encontraram, fragmentos foram manipulados e compartilhados. O acidente só foi identificado posteriormente, quando sintomas e circunstâncias levaram o material às autoridades.
O episódio revelou como uma fonte radioativa fora de controle pode transformar um objeto aparentemente comum em grave ameaça à saúde pública.
A resposta à emergência
A identificação do césio-137 mobilizou autoridades sanitárias, profissionais de proteção radiológica, equipes médicas, técnicos e forças públicas. Pessoas foram examinadas, áreas passaram por medição e descontaminação e rejeitos radioativos precisaram ser isolados e armazenados com segurança.
A resposta também enfrentou um desafio social: o medo da radiação provocou preconceito contra moradores de Goiânia e contra pessoas diretamente atingidas. Essa dimensão reforçou a importância de informações claras, acolhimento e acompanhamento de longo prazo.
O Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas
A Lei nº 12.646, de 16 de maio de 2012, instituiu 13 de setembro como o Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas. A data mantém viva a memória das vítimas e chama atenção para assistência, reparação, prevenção e fiscalização.
Mais do que recordar o acidente, a lei transforma a data em compromisso público com quem sofreu consequências físicas, psicológicas e sociais.
O que o Brasil aprendeu?
- fontes radioativas precisam permanecer identificadas, registradas, protegidas e fiscalizadas durante todo o seu ciclo de uso;
- o encerramento de clínicas e serviços não elimina a responsabilidade sobre seus equipamentos;
- sucateiros e trabalhadores que lidam com materiais usados precisam de informação sobre símbolos e objetos suspeitos;
- emergências radiológicas exigem integração entre saúde, proteção radiológica, segurança pública e comunicação;
- as pessoas atingidas precisam de acompanhamento continuado e proteção contra discriminação.
Como agir diante de um objeto suspeito?
Nunca abra, desmonte, transporte ou leve para casa um equipamento desconhecido que contenha o símbolo internacional de radiação. Afaste-se, impeça que outras pessoas se aproximem e comunique imediatamente as autoridades locais de emergência e os órgãos responsáveis pela proteção radiológica.
Radiação não pode ser identificada pelos sentidos humanos. A ausência de cheiro, calor ou sinais visíveis não significa que um objeto seja seguro.
Memória, conhecimento e prevenção
O acidente de Goiânia não deve ser lembrado como curiosidade sobre um material luminoso. Sua história é, acima de tudo, a história de pessoas, famílias e comunidades afetadas por falhas de controle e desconhecimento do risco.
Preservar essa memória ajuda a combater informações falsas, fortalecer protocolos e impedir que fontes utilizadas na medicina, indústria ou pesquisa sejam abandonadas. A principal lição é direta: tecnologia segura depende de responsabilidade contínua.

