Dia da Camada de Ozônio: como o Protocolo de Montreal ajudou a proteger a Terra
Em 16 de setembro, o mundo celebra o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. A data recorda a assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987, e uma das mais bem-sucedidas respostas internacionais a um problema ambiental.
Em 2026, o tema definido pelas Nações Unidas é “Ação global por um planeta mais fresco”. A mensagem relaciona a recuperação da camada de ozônio ao avanço de sistemas de refrigeração mais eficientes e com menor impacto climático.
O que é a camada de ozônio?
O ozônio é uma forma de oxigênio composta por três átomos — O3. Cerca de 90% do ozônio atmosférico está na estratosfera, região situada acima da camada onde vivemos. Ali ele funciona como um filtro natural, absorvendo quase toda a radiação ultravioleta de ondas curtas mais perigosa emitida pelo Sol.
A Organização Meteorológica Mundial explica que, se todo o ozônio atmosférico fosse comprimido até a superfície, formaria uma camada de aproximadamente três milímetros. Mesmo tão pequena, essa barreira ajuda a proteger seres humanos, animais, plantas e ecossistemas.
Por que a camada começou a diminuir?
Durante o século XX, substâncias como os clorofluorcarbonetos, conhecidos como CFCs, passaram a ser usadas em refrigeradores, aparelhos de ar-condicionado, aerossóis, espumas e outros produtos. Quando chegam à estratosfera, alguns desses compostos liberam cloro ou bromo, elementos capazes de destruir moléculas de ozônio.
O problema ganhou atenção mundial após cientistas identificarem uma forte redução sazonal do ozônio sobre a Antártida. A expressão “buraco na camada de ozônio” descreve essa região de intensa diminuição; não significa uma abertura física permanente na atmosfera.
O Protocolo de Montreal
Assinado em 16 de setembro de 1987 e em vigor desde 1989, o Protocolo de Montreal estabeleceu a eliminação gradual da produção e do consumo das principais substâncias que destroem a camada de ozônio. O acordo alcançou ratificação universal e foi atualizado ao longo dos anos conforme surgiram novas evidências científicas e alternativas tecnológicas.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o Protocolo já levou à eliminação de mais de 99% da produção e do consumo das substâncias controladas. O resultado demonstra como ciência, legislação, indústria e cooperação entre países podem atuar em conjunto.
O que mostram os dados mais recentes?
O Boletim de Ozônio e Ultravioleta nº 4, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial em setembro de 2026, confirma que a recuperação de longo prazo continua, embora existam variações de um ano para outro e desafios que exigem monitoramento permanente.
A entidade informa que a camada vem se recuperando desde aproximadamente o ano 2000. Mantidas as políticas atuais, a expectativa científica é de retorno aos níveis de 1980 ao longo das próximas décadas. O ritmo não é igual em todas as regiões do planeta.
O boletim também chama atenção para a exposição à radiação ultravioleta. Em algumas áreas, menos nuvens e maior duração da insolação elevaram o número de dias com índice UV alto. Portanto, a recuperação da camada de ozônio não elimina a necessidade de acompanhar o índice UV e adotar proteção adequada.
Camada de ozônio e clima: qual é a relação?
Proteger a camada de ozônio e combater o aquecimento global são desafios diferentes, mas relacionados. Alguns gases usados como substitutos dos CFCs não destroem o ozônio, porém podem ter alto potencial de aquecimento.
A Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal determina a redução gradual dos hidrofluorcarbonetos, ou HFCs. O objetivo é estimular refrigeração mais eficiente e alternativas com menor impacto climático. Por isso, a campanha de 2026 destaca a ação global por um planeta mais fresco.
O que empresas e consumidores podem fazer?
- Realizar manutenção de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado com profissionais qualificados, evitando vazamentos de gases refrigerantes.
- Não perfurar tubulações nem desmontar equipamentos de refrigeração sem conhecimento técnico.
- Descartar aparelhos antigos em sistemas de coleta adequados, permitindo a recuperação segura do fluido refrigerante.
- Ao comprar um equipamento, observar eficiência energética, assistência técnica e o tipo de refrigerante utilizado.
- Acompanhar diariamente o índice UV e usar proteção solar, roupas adequadas, chapéu e sombra nos períodos de maior radiação.
- Valorizar políticas públicas, empresas e tecnologias comprometidas com refrigeração sustentável.
Um exemplo de cooperação que funcionou
A recuperação da camada de ozônio ainda não está concluída. Substâncias antigas permanecem na atmosfera por décadas, o monitoramento precisa continuar e a transição para refrigeração sustentável exige investimentos e formação profissional.
Mesmo assim, o Protocolo de Montreal é uma prova concreta de que acordos internacionais baseados em ciência podem produzir resultados mensuráveis. Em 16 de setembro, a principal mensagem é clara: proteger a atmosfera depende de decisões coletivas mantidas ao longo do tempo.
Fontes consultadas
- Organização das Nações Unidas — Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio e campanha de 2026
- Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — informações sobre o Protocolo de Montreal
- Organização Meteorológica Mundial — avanços e desafios na recuperação da camada de ozônio em 2026
- Organização Meteorológica Mundial — Boletim de Ozônio e Ultravioleta nº 4, setembro de 2026
A imagem de capa é uma ilustração editorial original produzida para este artigo.

