Fundacentro completa 60 anos: história da segurança e saúde no trabalho
Em 21 de outubro de 2026, a Fundacentro completa 60 anos de atuação na pesquisa, na educação e na produção de conhecimento sobre segurança e saúde no trabalho. Criada pela Lei nº 5.161, de 21 de outubro de 1966, a instituição acompanhou profundas mudanças na economia, nas tecnologias e nas relações de trabalho brasileiras.
Por que a Fundacentro foi criada
No início da década de 1960, os altos índices de acidentes e doenças relacionados ao trabalho ganharam maior atenção do poder público e da sociedade. O debate reuniu especialistas brasileiros e contou com cooperação da Organização Internacional do Trabalho. Nesse contexto, surgiu a proposta de um centro nacional dedicado a estudar riscos ocupacionais e apoiar medidas de prevenção.
A Lei nº 5.161 autorizou a criação da então Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho. O objetivo era realizar estudos, pesquisas e ações capazes de melhorar as condições de trabalho no país.
Da criação ao nome atual
Em 1978, a Lei nº 6.618 alterou a denominação para Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho, mantendo a sigla Fundacentro. Hoje, a instituição está vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego.
Ao longo de seis décadas, formou equipes multidisciplinares e reuniu conhecimentos de áreas como engenharia, medicina, enfermagem, higiene ocupacional, ergonomia, química, física, psicologia, sociologia e educação.
O que a Fundacentro faz
O trabalho da instituição vai além da análise de acidentes já ocorridos. Seu foco é identificar perigos, compreender como a organização do trabalho afeta a saúde e transformar conhecimento científico em prevenção.
- Pesquisa: estuda agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e fatores relacionados à organização do trabalho.
- Formação: promove cursos, seminários e materiais técnicos para trabalhadores, gestores, profissionais de segurança e representantes de instituições.
- Informação pública: mantém publicações e acervos que ajudam a difundir conhecimento sobre prevenção.
- Apoio técnico: contribui para políticas públicas e para a construção e atualização de referências na área de segurança e saúde no trabalho.
- Diálogo social: articula conhecimento com órgãos públicos, universidades, sindicatos, empresas e organizações profissionais.
Segurança no trabalho não é apenas equipamento
Capacete, luvas, protetores e outros equipamentos são importantes quando indicados, mas a prevenção começa antes. O caminho mais eficaz é reconhecer o perigo, eliminar ou reduzir a exposição, organizar o ambiente e adotar procedimentos seguros. O equipamento de proteção individual integra esse conjunto, mas não substitui medidas coletivas e planejamento.
Também é necessário olhar para riscos menos visíveis: ruído, calor, substâncias químicas, movimentos repetitivos, jornadas inadequadas, pressão excessiva, assédio e fatores capazes de afetar a saúde mental.
Por que esse trabalho continua atual
O mundo do trabalho mudou desde 1966. Automação, plataformas digitais, trabalho remoto, novas substâncias, mudanças climáticas e novas formas de contratação criaram oportunidades, mas também riscos que exigem pesquisa contínua.
A própria programação dos 60 anos destaca os impactos dessas transformações na saúde física e mental de quem trabalha. A prevenção precisa acompanhar a tecnologia e considerar tanto os ambientes tradicionais quanto as atividades emergentes.
O significado para o Cariri
No Cariri, a segurança e a saúde no trabalho atravessam setores muito diferentes: construção civil, comércio, serviços de saúde, oficinas, transporte, indústria, agricultura, turismo e pequenos negócios. Cada atividade possui riscos próprios, mas todas dependem de informação, planejamento e participação dos trabalhadores.
Para micro e pequenas empresas, prevenção não deve ser vista apenas como obrigação documental. Ambientes organizados, máquinas protegidas, treinamento adequado, pausas, ergonomia e comunicação clara ajudam a preservar vidas e a reduzir afastamentos e perdas.
Três princípios que atravessam seis décadas
- Conhecer antes de agir: medir e estudar o risco evita decisões baseadas apenas em impressão.
- Prevenir na origem: controlar o perigo no processo ou no ambiente protege mais pessoas.
- Ouvir quem realiza o trabalho: trabalhadores conhecem situações cotidianas que podem não aparecer em documentos ou visitas rápidas.
Curiosidades confirmadas
- A Fundacentro foi criada oficialmente em 21 de outubro de 1966.
- A instituição nasceu com outro nome, mas a sigla Fundacentro foi preservada.
- Sua história começou a ser construída antes da lei, com debates nacionais e cooperação técnica internacional.
- Em 2026, a comemoração oficial dos 60 anos tem como eixo a trajetória da instituição na segurança e saúde no trabalho.
Um patrimônio público voltado à prevenção
Celebrar os 60 anos da Fundacentro é reconhecer que acidentes e doenças relacionados ao trabalho não devem ser tratados como acontecimentos inevitáveis. Pesquisa, educação, fiscalização, responsabilidade empresarial e participação dos trabalhadores formam uma rede de proteção.
Quando o conhecimento produzido chega ao canteiro de obras, à oficina, ao hospital, ao campo ou ao pequeno comércio, a história institucional se transforma em algo concreto: pessoas que voltam para casa com saúde e segurança.

